
As ações americanas despencaram pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira (4), em meio ao aumento dos temores de que uma guerra comercial global em escalada possa afetar os lucros corporativos e frear o crescimento econômico.
O índice Dow Jones Industrial Average recuou 5,5%, perdendo mais de 2.200 pontos — acumulando uma queda de quase 4.000 pontos em apenas dois dias. O S&P 500 fechou em baixa de 6%, enquanto o Nasdaq Composite, com forte peso em tecnologia, caiu 5,8% e entrou em território de bear market (mercado de baixa). Todos os principais índices registraram suas maiores quedas semanais desde os primeiros meses da pandemia de Covid-19, em março de 2020. No acumulado da semana, o S&P 500 caiu 9,1% e o Nasdaq, 10%.
Os mercados começaram a semana em alta, mas perderam força após o anúncio, na noite de quarta-feira, de um pacote tarifário abrangente por parte do presidente Donald Trump contra parceiros comerciais dos Estados Unidos. A aversão ao risco se intensificou nesta sexta-feira após a China, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, anunciar tarifas de 34% sobre todas as importações americanas — espelhando a alíquota “recíproca” que Trump aplicou a produtos chineses. Pequim também divulgou outras medidas para restringir o comércio com os EUA.
Segundo autoridades da Casa Branca, o objetivo das tarifas é restaurar o equilíbrio competitivo e trazer de volta a produção e os empregos para o território americano. No entanto, a rapidez e a intensidade das medidas anunciadas nesta semana aumentaram a preocupação entre economistas e investidores quanto ao risco de uma nova onda inflacionária e à possibilidade de recessão.
Um relatório de empregos divulgado nesta manhã chegou a animar brevemente os mercados. O dado mostrou que a economia americana criou 228 mil postos de trabalho em março, superando com folga a expectativa de 140 mil.
Os investidores também acompanharam atentamente o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que afirmou que a economia dos EUA permanece sólida, mas que as incertezas aumentaram com a implementação das políticas comerciais do governo. Segundo ele, os riscos de crescimento mais lento e inflação mais alta cresceram, embora o Fed esteja “bem posicionado para esperar maior clareza antes de considerar ajustes” na política de juros.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos — que tem caído nos últimos dias com o aumento das preocupações econômicas — recuou para 4,00%, ante 4,06% no fechamento anterior. Pela manhã, chegou a atingir 3,86%, o menor nível desde o início de outubro. Essa taxa influencia diretamente os custos de crédito, como os de financiamentos e hipotecas.
Quedas generalizadas nas ações de tecnologia e energia
As gigantes do setor de tecnologia voltaram a liderar as perdas nesta sexta-feira. A fabricante de chips de IA Nvidia (NVDA) caiu mais de 7%, enquanto a Tesla (TSLA), montadora de veículos elétricos, despencou 10%. A Apple (AAPL), com grande presença fabril na China, recuou 7%, após já ter perdido 9% na sessão anterior. Broadcom (AVGO) e Meta Platforms (META) cederam cerca de 5% cada, enquanto Amazon (AMZN) caiu 4%. Microsoft (MSFT) e Alphabet (GOOG) também fecharam em queda superior a 3%.
As ações de empresas de semicondutores estiveram entre as mais atingidas. Intel (INTC), Arm Holdings (ARM), Micron (MU) e Marvell Technology (MRVL) recuaram mais de 10% cada. O ETF do setor, iShares Semiconductor (SOXX), caiu 7,5%.
Outros setores também foram pressionados. A Boeing, que já havia perdido 10% na véspera, recuou mais 9,5%. As ações da GE Healthcare (GEHC) caíram 16%, enquanto a GE Aerospace (GE) recuou 11%.
O setor financeiro também sofreu com os receios de uma possível recessão. Bank of America (BAC), JPMorgan Chase (JPM), Citigroup (C) e Goldman Sachs (GS) recuaram mais de 7% cada.
As empresas de energia também foram impactadas com a continuidade da queda nos preços do petróleo. Exxon Mobil (XOM) caiu 7% e Chevron (CVX), 8%.
Os contratos futuros do petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, recuaram 6,9%, para US$ 62,30 por barril, ampliando as perdas do dia anterior. O movimento refletiu as preocupações com a guerra comercial global e os sinais de aumento na produção por parte de países exportadores de petróleo.
Ouro e bitcoin também sentem o impacto
Os contratos futuros de ouro, que haviam atingido recordes no início da semana, recuaram 2,1%, para US$ 3.055 por onça.
O Bitcoin era negociado a US$ 84.200 no fim da tarde desta sexta-feira, após ter tocado uma mínima de US$ 81.600 durante o dia. A criptomoeda estava próxima de US$ 88.000 na noite de quarta-feira, antes do anúncio das tarifas por Donald Trump.