A produção mundial de energia a partir de combustíveis fósseis praticamente estagnou em 2025, marcando um raro intervalo sem expansão de carvão, petróleo e gás. O protagonismo de China e Índia foi decisivo, impulsionado pela rápida incorporação de renováveis aos sistemas elétricos. Esse movimento sinaliza uma inflexão estrutural na matriz global e reforça a competitividade das tecnologias limpas perante as alternativas fósseis.
Segundo a Ember, houve retração de 0,2% na geração fóssil mundial no período, rompendo uma tendência de décadas sustentada pelo crescimento da demanda elétrica. Pela primeira vez no século XXI, China e Índia reduziram simultaneamente sua produção fóssil, viabilizadas pela forte expansão da capacidade instalada de fontes renováveis e por políticas de incentivo que aceleraram novos projetos.
Na China, a queda da geração fóssil foi ancorada por um crescimento recorde da energia solar, capaz de suprir parcela relevante da nova carga. Esse avanço ocorreu em paralelo à ampliação das redes e ao barateamento de módulos fotovoltaicos, que reduziram custos de implantação e operação, aumentando a atratividade dos investimentos privados.
Na Índia, o salto combinado de geração eólica e hidrelétrica somado à solar diminuiu a necessidade de ampliar térmicas a carvão e gás. O reforço de leilões, PPAs corporativos e melhorias no despacho contribuíram para estabilizar o sistema e conter emissões, mesmo com a demanda final em alta.
A nível global, a energia solar liderou o acréscimo líquido do consumo elétrico em 2025, reforçando seu papel como tecnologia de base da transição. Esse desempenho fortalece cadeias produtivas, pressiona custos para baixo e acelera a substituição de ativos fósseis ineficientes, com benefícios ambientais e de segurança energética.
No Brasil, fundos como o SNEL11 buscam capturar essa tendência por meio de usinas solares em geração distribuída, estratégia apoiada pela busca de redução de custos na ponta. O veículo anunciou a aquisição de 20 usinas em múltiplos estados, somando 87,5 MWp em um investimento de R$ 436,2 milhões, e reportou valorização de 12,19% em 12 meses, além de aumento de cerca de 38% no número de cotistas.
O cenário doméstico é favorável: o setor solar já movimentou mais de R$ 300 bilhões desde seu ciclo de expansão, gerando mais de 2 milhões de empregos e R$ 96 bilhões em tributos. Com a continuidade de projetos e marcos regulatórios, a convergência entre investimento e queda de custos tende a consolidar a liderança da solar na matriz. Em paralelo, China e Índia devem seguir determinantes na trajetória de descarbonização global.