A MRV (MRVE3) divulgou resultados operacionais do primeiro trimestre de 2026 que geraram avaliação mista por parte dos analistas do BTG. A construtora reportou vendas e lançamentos consistentes, mas houve frustração na geração de caixa das operações brasileiras, o que trouxe volatilidade ao papel. Ainda assim, o banco destacou que os fundamentos permanecem atrativos no horizonte de 12 meses.
Os analistas do BTG mantiveram recomendação de compra para MRVE3, com preço-alvo de R$ 12,00, implicando potencial de valorização de 51% frente à cotação de R$ 7,94. A decisão se apoia em múltiplo preço/lucro projetado de 6 vezes para 2026 e no ambiente positivo para habitação popular, ancorado pelo programa Minha Casa Minha Vida, que tende a sustentar volume e margens.
O principal ponto negativo do trimestre foi o Fluxo de Caixa Livre no Brasil, que consumiu R$ 21 milhões, distante da projeção do BTG de geração positiva de R$ 100 milhões. Segundo a companhia, a sazonalidade do primeiro trimestre pesou: as vendas concentradas em março diminuíram os repasses bancários dentro do período, postergando entradas de caixa.
Nos segmentos, o resultado da MRV foi heterogêneo. A baixa renda contribuiu com R$ 22 milhões positivos, enquanto Urba e Luggo apresentaram queima de R$ 29 milhões e R$ 15 milhões, respectivamente, refletindo ciclos de desenvolvimento e menor velocidade de monetização. Essa dinâmica reforça a importância do controle de capital de giro nas unidades de negócios além do core.
A operação internacional via Resia ajudou a mitigar o desempenho doméstico. A subsidiária americana gerou US$ 59 milhões, apoiada pela venda do projeto Tributary por US$ 73 milhões e pela alienação de terrenos que somaram US$ 18 milhões. Essa frente confirma a capacidade de reciclagem de capital e diversificação geográfica.
Em síntese, apesar do desvio pontual na geração de caixa, os analistas do BTG veem valuation descontado e catalisadores claros para 2026. A gestão promete normalização de repasses no segundo trimestre e ritmo saudável de lançamentos, o que pode reancorar a tese. Para o investidor de médio prazo, o call segue baseado em múltiplos atrativos e execução operacional em mercados-chave.