A crescente valorização da cadeia da soja ganhou fôlego com a maior demanda por biocombustíveis, especialmente nos Estados Unidos, criando um ambiente favorável para o mercado global e para fundos do agronegócio, como os fiagros. Nas últimas semanas, o óleo de soja avançou na Bolsa de Chicago, refletindo expectativas de consumo mais intenso de matérias-primas destinadas a combustíveis renováveis.
Dados do Imea indicam que as cotações do óleo de soja subiram 1,13% entre 18 e 22 de maio, encerrando a US$ 75,03 por libra-peso. Esse movimento foi sustentado pela revisão para cima das projeções de produção de biodiesel e HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) para 2026 nos EUA, reforçando a tese de que a maior demanda por biocombustíveis tende a aumentar o processamento da oleaginosa.
A possível aprovação definitiva da gasolina E15 para uso durante todo o ano nos EUA também entra no radar. Hoje, a mistura com 15% de etanol sofre restrições no verão por questões regulatórias e ambientais. A liberação permanente pode estimular o complexo de combustíveis renováveis e, por consequência, apoiar o uso de óleos e gorduras na matriz energética.
Captura de ganhos indiretos
Como reflexo, o SNAG11, embora sem exposição direta ao óleo de soja, pode capturar ganhos indiretos com a valorização das commodities agrícolas. O fundo opera via crédito estruturado e possui carteira diversificada em revendas agrícolas, irrigação, armazenagem, café, sementes, laticínios e terras agrícolas, o que mitiga riscos e amplia fontes de retorno no ciclo do agro.
Recentemente, o fundo concluiu sua quinta emissão, captando R$ 301 milhões e elevando o patrimônio para perto de R$ 1 bilhão. A diversificação setorial e a disciplina na originação de operações favorecem a resiliência em cenários de maior volatilidade de preços.
Perspectivas externas também são positivas. A Anec projeta embarques de 16,668 milhões de toneladas de soja em abril, enquanto a China amplia compras do Brasil. Com demanda interna fortalecida por biocombustíveis e um fluxo externo robusto, a oleaginosa reafirma seu papel central na economia agrícola nacional, consolidando a influência da maior demanda por biocombustíveis sobre preços e investimentos.