
Apesar das grandes expectativas, a Nvidia (NVDA) viu suas ações caírem cerca de 3% no pregão desta terça-feira (18 de junho) após o anúncio de sua nova geração de processadores para inteligência artificial (IA).
O evento, realizado em San Jose, Califórnia, trouxe avanços significativos, mas a recepção do mercado foi morna, refletindo preocupações com a crescente concorrência e as mudanças no setor de tecnologia.
Nos últimos anos, a Nvidia experimentou crescimento acelerado, impulsionado pelo avanço da IA generativa e pela demanda crescente por chips de alto desempenho. Agora, no entanto, a empresa precisa lidar com:
- O fortalecimento da concorrência, especialmente com empresas desenvolvendo chips mais eficientes e acessíveis.
- Uma mudança no foco do mercado de IA, que está migrando do treinamento de modelos para a inferência, exigindo novas abordagens de hardware.
- Possíveis desafios na produção de seus novos processadores, incluindo atrasos na entrega do Blackwell Ultra.
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Pressão da Concorrência no Setor de IA
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, utilizou o evento para rebater as preocupações sobre o aumento da competição, especialmente após a chinesa DeepSeek apresentar um chatbot que demanda menos poder de processamento.
Segundo Huang, a comunidade tecnológica subestimou a real necessidade computacional da IA agêntica – sistemas que operam com mínima intervenção humana. Ele ressaltou que a demanda por poder computacional cresce exponencialmente e que a Nvidia está preparada para atender a essa evolução.
“Quase todo mundo interpretou errado”, afirmou Huang, reforçando que os avanços da IA exigem mais processamento do que se imaginava há um ano.
Para demonstrar a força da empresa, ele comparou a conferência da Nvidia ao “Super Bowl da IA”, destacando que os lançamentos apresentados são fundamentais para a próxima fase da tecnologia.
Os Novos Produtos da Nvidia
Apesar das incertezas do mercado, a Nvidia revelou uma série de inovações para IA, computação avançada e redes de data centers.
1. Blackwell Ultra: A Nova GPU de Alto Desempenho
Entre os destaques do evento, a Nvidia anunciou sua nova geração de GPUs, chamada Blackwell Ultra, prevista para o segundo semestre de 2024.
Com maior capacidade de memória, esse processador foi desenvolvido para atender às demandas mais exigentes da IA, desde o treinamento de modelos até a inferência, permitindo o suporte a modelos mais complexos.
2. Próximas Gerações de Processadores
Além do Blackwell Ultra, a Nvidia revelou um roadmap de novos chips que devem superar as gerações atuais:
- Vera Rubin – lançamento em 2026.
- Vera Rubin Ultra – chegada prevista para 2027.
- Feynman – próxima grande evolução, esperada para 2028.
A empresa busca adotar um ciclo anual de lançamentos para seus processadores, mas enfrenta desafios, incluindo atrasos no projeto do Blackwell.
3. Nvidia DGX: Computadores Pessoais para IA
A empresa também apresentou os novos computadores DGX, equipados com os chips Blackwell Ultra, projetados para permitir a execução de modelos de IA diretamente em desktops.
Os dispositivos, fabricados por Dell, Lenovo e HP, representam uma tentativa da Nvidia de competir diretamente com os Macs de alto desempenho da Apple, expandindo sua presença no segmento de computação pessoal voltada para IA.
4. Chips de Rede para IA Escalável
A Nvidia também revelou sua nova geração de chips de rede fotônica, que permitirá conectar milhões de GPUs em data centers com maior eficiência energética.
- Quantum-X Photonics será lançado ainda em 2024.
- Spectrum-X chegará ao mercado em 2026.
Essas inovações visam reduzir o consumo de energia e ampliar a capacidade das “fábricas de IA”, conectando diversos processadores em diferentes locais.
5. Software Dynamo: IA Mais Inteligente e Rápida
A empresa disponibilizou gratuitamente o Dynamo, um software projetado para otimizar o processo de raciocínio das IAs.
Diferente dos modelos tradicionais, que oferecem respostas instantâneas, o Dynamo permite que os sistemas pensem em várias etapas, melhorando a precisão e qualidade das respostas geradas.
6. Nvidia Isaac GR00T N1: Revolução na Robótica
Outro destaque foi o GR00T N1, um modelo base para robôs humanoides que combina dois estilos de processamento – raciocínio rápido e lento, imitando a forma como humanos pensam.
Esse projeto inclui o Newton, um motor de física open-source desenvolvido com Google DeepMind e Disney Research, voltado para a criação de robôs autônomos.
Expansão no Setor Automotivo
Além dos avanços em IA e computação, a Nvidia anunciou uma parceria com a General Motors (GM), que usará os chips da empresa para desenvolver veículos autônomos.
O setor automotivo é uma das áreas em que a Nvidia busca ampliar sua atuação, fornecendo processadores avançados para carros inteligentes e aprimorando tecnologias de direção autônoma.
Conclusão
A Nvidia continua liderando o setor de inteligência artificial, trazendo hardware e software de última geração para suportar a evolução da tecnologia.
Entretanto, os desafios da empresa estão se tornando mais evidentes, incluindo:
- Maior concorrência no setor de chips de IA, com empresas buscando alternativas mais eficientes.
- Mudanças na demanda do mercado, com foco crescente na inferência em vez do treinamento de modelos.
- Possíveis atrasos na produção, como os observados com o Blackwell Ultra.
O mercado reagiu com cautela, refletindo um cenário mais competitivo e questionando se a Nvidia conseguirá manter sua liderança sem comprometer sua velocidade de inovação.
À medida que a inteligência artificial se torna mais essencial para diversos setores, a Nvidia terá que equilibrar investimentos estratégicos, crescimento sustentável e respostas rápidas à concorrência para continuar no topo da indústria.