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Ações para acompanhar em abril e o que observar no mercado dos EUA

Ações para acompanhar em abril e o que observar no mercado dos EUA

Março foi o pior mês para o S&P 500 desde dezembro de 2022. O principal índice de referência dos EUA entrou em sua primeira correção técnica desde 2023 no início do mês e terminou março com uma queda de 5,8%. Esse desempenho negativo veio acompanhado da promessa do governo Trump de avançar com tarifas que deixaram Wall Street e a economia real em estado de alerta.

Apesar dos indicadores econômicos ainda mostrarem certa força ao longo de 2025, pesquisas apontam que as tarifas impactaram negativamente a confiança de consumidores, empresas e investidores — o que pode levar a uma desaceleração nos gastos nos próximos meses.

As tarifas devem continuar sendo um dos principais pontos de atenção dos investidores em abril. A Casa Branca planeja anunciar as medidas de tarifas recíprocas no dia 2 de abril — data que o presidente Trump tem chamado de “Dia da Libertação”. Caso as tarifas sejam tão amplas e elevadas quanto se espera, o impacto pode ser sentido em praticamente todos os setores do mercado.

A seguir, destacamos duas ações específicas e três grupos de ativos que merecem atenção ao longo do mês. Importante: não são recomendações de investimentos.

Tesla (TSLA)

A Tesla (TSLA) deve divulgar os resultados do primeiro trimestre no fim de abril, e o mercado estará ansioso por sinais positivos do CEO Elon Musk.

As vendas globais da Tesla recuaram, impactadas pela rejeição de parte dos consumidores ao envolvimento de Musk com o governo Trump e seu apoio à extrema direita europeia. Há também receios de que Musk, já sobrecarregado à frente de várias empresas, esteja se afastando das operações da Tesla devido ao seu papel no Departamento de Eficiência Governamental.

Desde a posse de Trump, as ações da Tesla acumulam queda de quase 40%, retornando a níveis semelhantes aos de antes da reeleição do ex-presidente, quando os papéis haviam disparado em novembro.

Na divulgação de resultados do quarto trimestre, Musk afirmou que a empresa lançaria, em junho, em Austin (Texas), um serviço pago de direção autônoma completa (FSD) sem supervisão, com a meta de expandir nacionalmente até o final de 2026. Ele declarou que esse avanço poderia tornar 2025 “o maior ano da história da Tesla”.

No entanto, os números até aqui indicam que as vendas no primeiro trimestre devem decepcionar — e por isso os investidores esperam que Musk consiga cumprir o cronograma ambicioso apresentado.

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Nvidia (NVDA)

Março marcou o pior trimestre para as ações da Nvidia (NVDA) desde 2022. Os papéis da fabricante de chips de inteligência artificial recuaram 13% no mês e estão cerca de 20% abaixo dos níveis do início do ano.

O lançamento do modelo de raciocínio R1, da DeepSeek — desenvolvido a um custo bem inferior ao de modelos americanos comparáveis — esfriou a empolgação em torno da IA no fim de janeiro. Desde então, investidores têm questionado os fundamentos que justificam a avaliação de mercado da Nvidia e de outras empresas do setor.

Mesmo após apresentar resultados acima das expectativas e destacar forte demanda por IA durante sua conferência anual de GPUs — um dos principais eventos de tecnologia do ano — a Nvidia não conseguiu retomar um movimento consistente de alta. O desempenho recente dos papéis mostra que nem a Nvidia, nem suas companheiras do grupo Magnificent Seven, estão imunes ao cenário macroeconômico adverso.

A empresa continua sendo símbolo da revolução da IA, e o comportamento de suas ações — ainda dependente de crescimento sólido — será um dos principais termômetros do apetite por risco do mercado em abril.

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Ford, General Motors e Stellantis

No fim de março, o presidente Trump anunciou tarifas de 25% sobre veículos e autopeças importados. As tarifas sobre carros prontos devem entrar em vigor em 3 de abril, enquanto as sobre peças estão previstas para, no máximo, 3 de maio.

Analistas do JPMorgan estimam que o impacto total das tarifas para a indústria automotiva global pode chegar a US$ 82 bilhões, caso as montadoras não repassem os custos ao consumidor.

Eles observaram que as novas tarifas são mais favoráveis às montadoras dos EUA do que as aplicadas no primeiro mandato de Trump, que atingiam apenas importações vindas do Canadá e do México. Ainda assim, Ford (F), General Motors (GM) e Stellantis (STLA) podem ser duramente impactadas se as medidas forem implementadas conforme anunciado.

No segundo mandato, Trump já adiou ou moderou propostas tarifárias em outras ocasiões, e investidores estarão atentos para ver se as montadoras conseguirão algum tipo de alívio neste mês. Caso contrário, o mercado vai buscar atualizações sobre as projeções financeiras, estratégias de produção e cadeias de suprimento das Três Grandes.

Companhias aéreas

A Delta Airlines (DAL) abre a temporada de resultados das grandes aéreas americanas com a divulgação de seu balanço do primeiro trimestre marcada para 9 de abril.

Em março, a empresa revisou para baixo sua projeção para o trimestre, citando queda na confiança de consumidores e empresas diante do aumento da incerteza macroeconômica. Durante uma conferência do JPMorgan, o CEO Ed Bastian mencionou que a colisão entre um jato comercial e um helicóptero militar, ocorrida em janeiro, gerou preocupações com segurança de voo e reduziu a demanda, tanto corporativa quanto de lazer.

Além disso, manchetes vindas de Washington sobre inflação e desaceleração da economia têm pesado sobre os gastos discricionários.

A demanda por voos domésticos enfraqueceu, acompanhada também por uma queda significativa na procura internacional. As reservas de voos do Canadá para os EUA no verão caíram 70% neste ano, em meio ao descontentamento com as tarifas e ameaças de anexação feitas por Trump. Países aliados como Reino Unido e Alemanha, inclusive, emitiram alertas para seus cidadãos sobre viagens aos EUA, diante das políticas de imigração do governo.

Investidores vão acompanhar de perto as projeções da Delta, United Airlines (UAL) e American Airlines (AAL) para identificar se essas tendências estão se mantendo — ou até se intensificando.

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Setor bancário

Durante a campanha presidencial, havia uma expectativa de que os grandes bancos seriam beneficiados pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca. O ex-presidente prometeu eliminar regulações consideradas prejudiciais aos negócios e dar início a uma nova onda de fusões e aquisições, com uma atuação mais flexível dos reguladores em relação às leis antitruste.

Até agora, no entanto, esse movimento não se concretizou. Autoridades da Comissão Federal de Comércio indicaram que seguirão com a aplicação das regras antitruste, especialmente no setor de tecnologia, utilizando diretrizes desenvolvidas na administração anterior.

Nos últimos dois meses, Trump tem concentrado esforços na agenda tarifária, o que elevou a volatilidade nos mercados, gerou temores de desaceleração econômica e desvalorizou ativos de risco, como ações.

Ainda assim, a recente indicação de Michelle Bowman — atual diretora do Fed — para o cargo de principal reguladora bancária da instituição foi recebida com otimismo pelo setor financeiro, que enxerga nela uma aliada para os próximos quatro anos.

O JPMorgan Chase (JPM) e o Wells Fargo (WFC) divulgarão seus resultados no dia 11 de abril. Os investidores estarão atentos a sinais de queda na confiança de consumidores e empresas, além das avaliações dos executivos sobre os rumos da política econômica do governo Trump.

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