O fundo imobiliário encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com duas frentes estratégicas. De um lado, foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU) para potencial venda de participações em nove shopping centers por aproximadamente R$ 573 milhões. De outro, houve a ampliação da fatia no Midway Mall, em Natal (RN), de 0,95% para 12,43%.
O fato relevante divulgado no fim de julho indicou que o valor de venda previsto é cerca de 10% superior aos respectivos laudos de avaliação. Se concluída, a transação deve gerar aproximadamente R$ 346 milhões em caixa líquido e cerca de R$ 1,21 por cota em ganho de capital líquido.
Os nove ativos envolvidos respondem por aproximadamente 11% do NOI do portfólio. Segundo a administração, a saída desses ativos pode reduzir a dispersão operacional e concentrar recursos em empreendimentos com métricas mais robustas.
Venda prevê novo FII comprador e condições suspensivas
A estrutura delineada utiliza um novo FII comprador, formado por 80% de cotas seniores e 20% de cotas subordinadas. A classe subordinada será integralmente detida pelo fundo e possui retorno-alvo de 17% ao ano, com possibilidade de, a partir do quarto ano, receber eventual excedente após o pagamento à subclasse sênior.
A conclusão da venda depende da captação mínima do fundo comprador, da constituição do veículo e do cumprimento das demais condições previstas no MoU. O portfólio definitivo e o valor final poderão variar conforme o montante efetivamente captado pelo comprador.
Gestão projeta ganhos operacionais com a alienação
Na avaliação da gestão, a venda potencial tende a tornar a carteira mais eficiente, com impacto positivo sobre indicadores como NOI por metro quadrado, vendas por metro quadrado e taxa de ocupação. O objetivo é elevar a produtividade média do portfólio remanescente.
Ampliação de participação no Midway Mall
Paralelamente, o fundo elevou sua participação no Midway Mall de 0,95% para 12,43%. O movimento decorreu da conversão da posição como credor do CRI originalmente tomado pela SPE compradora em participação acionária maior no empreendimento, além de uma reorganização societária do ativo.
Para atingir a nova fatia, foram assumidas obrigações futuras de pagamento ao vendedor no montante de R$ 99,8 milhões. O valor será quitado em quatro parcelas anuais de aproximadamente R$ 25 milhões, com vencimentos entre dezembro de 2026 e dezembro de 2029, corrigidas pelo IPCA acumulado desde 17 de dezembro de 2025.
Apesar das obrigações futuras, o ativo vem apresentando evolução. O NOI Caixa do Midway Mall cresceu 13% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, segundo a administração.
Vendas e NOI avançam no segundo trimestre
No consolidado, o portfólio registrou crescimento de 5,2% no NOI Caixa por metro quadrado no 2T26, em comparação com o mesmo trimestre de 2025, considerando as participações atuais nos empreendimentos. Entre os dez principais shoppings, responsáveis por cerca de 65% do NOI, o avanço do indicador foi de 4,4% no período.
As vendas por metro quadrado tiveram desempenho mais forte, com alta de 8,9% no 2T26 na comparação anual. Nos dez principais ativos, o crescimento foi de 10,8%, sinalizando aceleração especialmente entre os empreendimentos que concentram a maior geração operacional.
A taxa de ocupação recuou 1,2 ponto percentual em relação a dezembro e 0,6 ponto percentual ante junho de 2025. Segundo a gestão, a dinâmica reflete a sazonalidade típica do setor de shopping centers no primeiro semestre.
Guidance e distribuição de rendimentos
Em julho, a distribuição média de rendimentos dos últimos 12 meses foi de R$ 0,83 por cota, enquanto a geração média de resultado alcançou R$ 0,82 por cota. O último rendimento divulgado somou R$ 0,84 por cota.
Ao fim de julho, havia R$ 0,89 por cota em resultado acumulado não distribuído. Somando-se R$ 10 milhões, equivalentes a R$ 0,35 por cota, acumulados pelo Shopping Paralela FII, o total não distribuído atingia R$ 1,23 por cota.
A gestão mantém guidance de rendimentos entre R$ 0,84 e R$ 0,90 por cota até dezembro de 2026. Desde o IPO, em outubro de 2017, o retorno total acumulado é de 117,6%, equivalente a 164% do IFIX no período. Na rentabilidade líquida, o fundo soma 116,8%, correspondente a 122% do CDI líquido.