O fundo imobiliário TRXF11 (TRX Real Estate) comunicou a maior operação de sua história ao aprovar um investimento de aproximadamente R$ 2,13 bilhões para adquirir participação em dois fundos imobiliários administrados pela Cy.Capital, plataforma do Grupo Cyrela. O negócio inclui cinco ativos: quatro galpões logísticos e um edifício corporativo de alto padrão.
Pelo volume financeiro, a transação se insere entre as maiores já realizadas por um fundo imobiliário brasileiro. O movimento reforça a estratégia da gestora de ampliar a exposição do portfólio ao segmento logístico, mantendo foco em contratos de longo prazo e geração previsível de receitas.
O conjunto de imóveis soma cerca de 251 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), distribuídos em aproximadamente 580 mil metros quadrados de terreno. As propriedades ficam em São Paulo, Rio de Janeiro e Extrema (MG), em eixos próximos aos principais corredores logísticos do país.
Além dos galpões, a operação contempla um edifício corporativo na capital paulista. O ativo está locado a uma empresa do segmento de banco digital, por meio de contrato de longo prazo. A TRX Investimentos informou ainda que a aquisição inaugura uma parceria estratégica com a Cy.Capital, que atua em logística, residencial e crédito imobiliário e possui aproximadamente R$ 2,9 bilhões em capital comprometido.
TRXF11 reforça carteira logística com aquisição bilionária
Com a conclusão da operação, os imóveis logísticos passam a representar 45,11% da Área Bruta Locável (ABL) do fundo, tornando-se a classe líder da carteira. O varejo passa a responder por 39,18%, seguido de educação, shopping centers, hospitais, saúde, hotelaria e renda urbana.
Após a compra, o portfólio totaliza 120 imóveis, com concentração relevante em regiões metropolitanas. Segundo a gestora, 87,98% do valor investido permanece alocado nesses mercados, e mais de 68% da receita continua atrelada a contratos atípicos.
O prazo médio dos contratos segue elevado, em 11,39 anos, em linha com a diretriz de priorizar previsibilidade de receitas e compromissos de longo prazo. A exposição a empresas de comércio eletrônico também aumentou: o segmento passa a representar 20,57% da receita imobiliária, com grandes operadores logísticos entre os principais locatários.
Para Luiz Augusto do Amaral, CEO da TRX Investimentos, os ativos adquiridos têm padrão institucional e estão em regiões estratégicas para logística e mercado corporativo, alinhados ao objetivo de ampliar a geração de renda e resguardar o valor patrimonial no longo prazo.
Expansão no Nordeste com ativo last mile no Recife
Paralelamente à operação bilionária, o fundo assinou um Memorando de Entendimentos (MOU) para adquirir 70% de um galpão logístico last mile em Jaboatão dos Guararapes (PE), na Região Metropolitana do Recife. O investimento previsto é de R$ 210 milhões.
O imóvel é ocupado por uma das maiores empresas de comércio eletrônico do país, que já integra a base de locatários do portfólio. A parcela do fundo equivale a 48 mil metros quadrados de ABL, correspondente a 70% da área locável do empreendimento.
Localizado às margens da BR-101, o ativo conta com acesso direto à BR-232, ao Porto de Suape e ao Aeroporto Internacional do Recife, atributos que favorecem operações de última milha. A gestora destaca o potencial de consumo da região: a Região Metropolitana do Recife reúne mais de 4 milhões de habitantes, enquanto Pernambuco possui cerca de 9,5 milhões de moradores.
Estratégia prioriza e-commerce e contratos de longo prazo
De acordo com a TRX Investimentos, a aquisição apresenta cap rate anual de 8,19% e contrato de locação com vencimento em fevereiro de 2030, reforçando a geração recorrente de receitas do portfólio. Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX Investimentos, afirma que a iniciativa está alinhada ao plano de ampliar a presença em imóveis logísticos próximos aos principais centros consumidores, o que tende a aumentar a eficiência operacional dos locatários e preservar o valor dos ativos ao longo do tempo.
O movimento dá continuidade à expansão logística iniciada nos últimos meses. Em junho, o fundo anunciou o desenvolvimento de quatro galpões destinados ao comércio eletrônico nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. Com isso, a carteira mantém a diretriz de aumentar a participação de ativos voltados ao e-commerce, combinando contratos extensos e localização estratégica para consolidar receitas estáveis.
