A nova leva de tarifas dos Estados Unidos trouxe a WEG (WEGE3) ao centro das atenções, mas o BTG Pactual projeta impacto limitado sobre os resultados. Para o banco, a notícia pesa no curto prazo, pois parte dos motores fabricados no Brasil e enviados aos EUA passou a enfrentar tarifa de 25%. Ainda assim, a instituição vê margem para mitigação.
O relatório do BTG aponta dois vetores para a companhia: a mudança tarifária nos EUA e os sinais favoráveis vindos do desempenho da ABB. Os destaques incluem eletrificação, inteligência artificial, data centers e motores, áreas diretamente ou indiretamente relacionadas à tese da companhia brasileira.
WEG (WEGE3) tem efeito limitado das tarifas dos EUA
Segundo o BTG, a tarifa adicional de 25% começou a incidir sobre produtos brasileiros e os motores de baixa tensão, um item relevante do portfólio da WEG, ficaram fora da nova lista de exceções. Isso amplia a pressão sobre parte das exportações ao mercado americano.
Mesmo assim, os analistas consideram pequena a exposição direta da empresa à medida. As receitas nos Estados Unidos giram, em média, entre 20% e 25% do total, mas a fatia de exportações brasileiras para esse destino correspondia a cerca de um terço desse montante.
Com a redistribuição geográfica da produção, incluindo a transferência de parte da fabricação para o México, o banco estima que de 2% a 3% da receita total da WEG esteja exposta à nova tarifa. O histórico também pesa: a companhia já operou em ambiente com tarifas próximas de 50% e, à época, conseguiu repassar custos por meio de reajustes de preços no mercado americano.
Inteligência artificial e data centers reforçam demanda
O outro ponto do relatório deriva da leitura dos números da ABB. A suíça reportou trimestre recorde, com receita de US$ 9,5 bilhões, alta comparável de 12%, e pedidos de US$ 12 bilhões, avanço de 28% na comparação anual.
Para o BTG, esses dados corroboram a força de dois vetores relevantes para a WEG: a eletrificação, impulsionada por inteligência artificial e data centers, e o segmento de Motion, com maior sobreposição ao portfólio da brasileira. A leitura sugere um pano de fundo favorável para a demanda.
No segmento de Motion, os pedidos da ABB atingiram US$ 2,6 bilhões, alta de 20% na base anual. Nos Estados Unidos, as encomendas cresceram 62%, justamente puxadas por eletrificação e motores. Os analistas veem esse movimento como sinal positivo para a dinâmica comercial da WEG.
BTG mantém compra e traça cenário para o 2T26
Apesar do ruído tarifário, o BTG manteve recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 65. Considerando a cotação de R$ 44,26 usada no relatório, o potencial de valorização é de 46,9%. Incluindo dividendos, o retorno total esperado chega a 48,2%.
Para o 2T26, o banco ainda projeta um trimestre fraco: receita líquida de R$ 9,8 bilhões, queda de 4% na comparação anual, Ebitda de R$ 2,1 bilhões, recuo de 8%, e lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, baixa de 7%. A avaliação é que o período pode representar um ponto de inflexão na narrativa.
A partir do terceiro trimestre, o BTG espera retomada de crescimento, sustentada pelo aumento de capacidade em transformadores e por uma base de comparação mais normalizada. Na leitura do banco, a rodada tarifária nos EUA adiciona pressão de curto prazo, mas a exposição limitada, a capacidade de repasse de preços e a demanda ligada à inteligência artificial e a data centers seguem amparando a tese para a ação.
