A 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo aprovou nesta quarta-feira (11) o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3). A decisão permite que a varejista avance na reestruturação de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais, aliviando pressões de caixa e organizando o passivo com credores financeiros e corporativos.
O GPA protocolou o pedido na segunda-feira (9) e já conta com a adesão de credores que representam 46% dos débitos contemplados no plano. Esse nível de suporte inicial é considerado relevante para acelerar as tratativas dentro do prazo legal. A empresa terá 90 dias para concluir as negociações e buscar maior convergência entre os detentores de títulos e contratos financeiros.
Como está dividida a lista de credores do GPA? Segundo apuração da Folha de S. Paulo publicada na terça-feira (10), 21 contratos envolvem 14 empresas credoras, incluindo bancos, distribuidoras de valores mobiliários e companhias de logística. Esse mapeamento inicial ajuda a dimensionar a complexidade das tratativas e a priorização por classe de crédito.
Quais são os principais credores? O Itaú Unibanco (ITUB4) lidera com 25,7% dos créditos no plano de recuperação extrajudicial, enquanto o Rabobank ocupa a segunda posição, com cerca de 22% do total. Entre os demais participantes estão HSBC, BTG Pactual (BPAC11), Pentágono Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e Vórtx Distribuidora, com exposições distribuídas em diferentes instrumentos.
Que outros setores estão envolvidos? A lista contempla ainda a empresa de saneamento Aqua Nobile, as transportadoras Logged Rio e Sanzaneze e as Casas Bahia, antiga subsidiária do grupo varejista. A diversidade setorial indica que a renegociação alcança contratos operacionais e financeiros, ampliando o alcance do acordo.
Perspectivas e próximos passos. Com a chancela judicial, o GPA ganha previsibilidade para avançar nas conversas com credores e executar medidas de eficiência financeira. A expectativa é que a recuperação extrajudicial reduza custos de dívida, alongue prazos e estabeleça novas garantias e covenants, preservando liquidez e sustentando o giro operacional.
Se bem-sucedido, o plano tende a estabilizar a estrutura de capital e reforçar a confiança do mercado, impactando positivamente fornecedores, parceiros e investidores. A adesão adicional de credores nas próximas semanas será determinante para a consolidação do acordo e a efetiva melhoria do perfil de endividamento do GPA por meio da recuperação extrajudicial.
