A Petrobras (PETR4) encerrou o segundo trimestre com desempenho considerado sólido por grandes casas de análise, apoiado por produção maior, margens melhores no refino e forte geração de caixa. O período veio acompanhado do anúncio de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, tema central para parte dos investidores da estatal.
A leitura, porém, não é unânime. Santander, BTG Pactual e Safra mantiveram visão positiva para as ações, enquanto o Bradesco BBI segue mais cauteloso. No pano de fundo, permanecem riscos ligados ao preço do petróleo, à política de combustíveis, à alocação de capital e ao ambiente político.
O que chamou atenção no resultado da Petrobras?
O Ebitda alcançou cerca de US$ 18,9 bilhões no segundo trimestre, superando o consenso de mercado, segundo o Bradesco BBI. O principal vetor foi Exploração e Produção, beneficiado pelo avanço do pré-sal e pelo crescimento da produção.
A produção de petróleo atingiu 2,69 milhões de barris por dia, com destaque para os FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78. Antes do balanço, a XP já apontava a alta da produção e preços mais elevados do Brent como pilares para um trimestre forte. O lucro líquido somou R$ 52,4 bilhões, e a companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em proventos.
Caixa e dívida mostram avanço
A geração de caixa foi outro ponto bem recebido. O Bradesco BBI estimou fluxo de caixa livre de aproximadamente US$ 4,4 bilhões, enquanto a XP calcula que, após ajustes de capital de giro e vendas de ativos, a geração recorrente ficou próxima de US$ 7,6 bilhões.
A estrutura financeira também evoluiu. De acordo com a XP, a dívida líquida recuou cerca de US$ 3 bilhões no trimestre, para US$ 15,4 bilhões, e a relação dívida líquida/Ebitda caiu para 1,14 vez. No operacional, o lifting cost ficou perto de US$ 9 por barril, favorecido pelo peso maior do pré-sal e por menor necessidade de intervenções em poços.
Dividendos seguem no radar do mercado
A companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e JCP referentes ao trimestre, e as projeções indicam remuneração relevante ao acionista. O BTG estima dividend yield próximo de 10% para 2027, considerando Brent a US$ 70 por barril. O Bradesco BBI também trabalha com retorno anual em torno de 10%.
A XP, antes do resultado, projetava distribuição equivalente a cerca de 2,9% de retorno apenas referente ao 2T26. Há, contudo, diferença entre dividendos recorrentes e extraordinários. Nesta sexta-feira, o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, afirmou considerar “muito pouco provável” um pagamento extraordinário em 2026.
Assim, a tese de renda permanece relevante, mas sem basear expectativas em eventos excepcionais de distribuição.
Como os bancos veem as ações
O Santander reiterou recomendação Outperform e manteve a Petrobras como principal escolha em petróleo e gás na América Latina, com preço-alvo de R$ 60. O BTG Pactual também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 56, apoiado na perspectiva de crescimento da produção, geração de caixa e retorno ao acionista.
O Safra mantém compra e preço-alvo de R$ 57, o que representava potencial de valorização de aproximadamente 35% sobre a cotação utilizada pelo banco. Já o Bradesco BBI segue neutro. A instituição elevou o preço-alvo para R$ 53 ao fim de 2027, ponderando riscos ligados ao Brent, à alocação de capital e à volatilidade política.
Fatores que podem alterar a tese
O resultado reforça a consistência operacional da Petrobras, mas não elimina os riscos. Uma queda persistente do petróleo reduziria a geração de caixa e poderia pressionar os dividendos. Também seguem relevantes as decisões sobre preços dos combustíveis, investimentos futuros e uso do caixa.
No sentido oposto, a continuidade do crescimento da produção pode compensar um Brent mais fraco. A XP já previa, antes do balanço, avanço da produção nos próximos trimestres com a entrada e maturação de novas plataformas.
Em síntese, o 2T26 consolidou a visão de que a Petrobras continua gerando caixa e distribuindo proventos relevantes. A divergência entre analistas está em quanto desses fundamentos já se reflete no preço e no peso atribuído aos riscos políticos e do petróleo.
