O índice de referência dos fundos imobiliários em maio encerrou o mês com desvalorização de 1,33% na B3, aos 3.877,52 pontos. O desempenho refletiu maior aversão a risco diante de juros elevados e inflação resistente, fatores que reduziram o apetite por ativos sensíveis ao custo de capital.
Apesar do recuo mensal, houve alívio pontual no fim do período: no último pregão de maio, o IFIX avançou 0,41%, e a semana final acumulou alta de 0,58%. Ainda assim, a pressão vendedora prevaleceu ao longo do mês.
O IFIX em maio chegou a tocar a máxima de 3.936,03 pontos antes de perder tração. A combinação de dados domésticos e externos desfavoráveis limitou a recuperação e ampliou a volatilidade intramês.
Por que os FIIs caíram em maio?
A dinâmica negativa dos FIIs esteve ligada às NTN-Bs longas pagando IPCA+7%, competição direta com risco imobiliário. O IPCA de abril subiu 0,67% e acumulou 4,39% em 12 meses, enquanto o Focus elevou a projeção anual para 4,92%, acima do teto da meta. Lá fora, o CPI dos EUA atingiu 3,8%, pressionado por energia, reforçando prêmios de juros globais. O conflito no Oriente Médio manteve o petróleo volátil, adicionando incerteza.
Como se comportaram os segmentos de FIIs?
As lajes corporativas recuaram cerca de 5% na mediana, refletindo vacância e custo de capital maior. Fundos de desenvolvimento seguiram pressionados pela percepção de risco de obra e financiamento. Os fundos de papel mostraram resiliência entre os FIIs em maio, com queda mediana de 0,95%, beneficiados por indexadores de inflação e juros elevados.
Quais foram os destaques do mês?
Nas maiores altas dos fundos imobiliários, XPCI11 liderou com +4,08%, fechando a R$ 85,53. Também avançaram RZTR11 (+3,46%), RBPR11 (+2,83%), LVBI11 (+1,55%) e BRCO11 (+1,20%). Entre as quedas, TRBL11 cedeu 9,74%, a R$ 66,33, seguido por BCRC11 (-2,73%), HSML11 (-2,25%), TVRI11 (-2,18%) e GZIT11 (-2,14%).
Perspectivas para junho
A trajetória dos fundos imobiliários seguirá atrelada ao desfecho da inflação, curva de juros e sinalizações fiscais. Surpresas benignas podem destravar preços, enquanto novas altas nas expectativas de inflação tendem a manter o desconto setorial.
