A corrida global por inteligência artificial colocou os semicondutores no foco do mercado. Entre os maiores beneficiados está a TSMC (TSMC34), fabricante taiwanesa que produz chips usados por companhias como Nvidia e Apple. Para quem busca exposição à empresa sem operar fora do país, há a alternativa de investir via BDRs listados na B3.
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company tem recibos de ações negociados no Brasil sob o código TSMC34. O aporte é feito em reais, por meio de uma corretora local, e oferece acesso ao desempenho de uma das líderes da cadeia mundial de semicondutores, sem a necessidade de abrir conta no exterior.
O interesse aumentou com o avanço da inteligência artificial. Em outubro, a companhia reportou lucro líquido recorde no terceiro trimestre de 2026, apoiado pela demanda por chips avançados para data centers e sistemas de IA. O movimento reforça o papel central da fabricante na oferta de tecnologia de ponta.
O que é a TSMC e por que a empresa é importante
Fundada em 1987, em Taiwan, a TSMC é a maior produtora global de semicondutores por encomenda. Ao contrário de empresas que criam seus próprios processadores, ela se dedica à fabricação de chips desenvolvidos por terceiros, atendendo um amplo ecossistema tecnológico.
Entre os principais clientes estão Nvidia, Apple, AMD e Broadcom. Assim, mesmo quando o consumidor adquire produtos dessas marcas, parte da tecnologia embarcada pode ter sido fabricada pela TSMC. A companhia ocupa posição estratégica em chips avançados, essenciais para IA, computação de alto desempenho e diversos dispositivos eletrônicos.
Esse protagonismo se reflete nos números. No terceiro trimestre de 2026, a receita foi de aproximadamente US$ 46,7 bilhões, alta de 51% na comparação anual. O lucro líquido atingiu cerca de 763 bilhões de dólares taiwaneses, avanço de aproximadamente 69% em relação ao mesmo período de 2025, conforme divulgado em 15 de outubro. Para 2026, a empresa manteve a previsão de investimentos entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões, voltados à expansão de capacidade e ao desenvolvimento de tecnologias avançadas.
Como investir na TSMC pela B3
O investidor brasileiro pode acessar a companhia por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados que representam ativos listados no exterior. No Brasil, esses recibos podem ser comprados e vendidos na B3 da mesma forma que ações locais, com liquidação em reais via corretora habilitada.
O passo a passo inclui:
1) Abrir ou usar conta em uma corretora com acesso à B3.
2) Transferir recursos para a conta de investimentos.
3) Buscar o código do BDR no home broker ou aplicativo.
4) Conferir a cotação, a quantidade desejada e os custos.
5) Enviar a ordem de compra e acompanhar a execução.
Os BDRs não conferem propriedade direta das ações estrangeiras ao investidor. Eles são certificados lastreados em ativos mantidos no exterior por uma instituição depositária. Como vantagem, permitem diversificação internacional sem a necessidade de realizar câmbio diretamente ou manter conta em uma corretora estrangeira.
Quais são os riscos de investir na TSMC
Apesar da liderança no setor, existem riscos associados à empresa e à natureza dos BDRs. Um deles é a exposição cambial: a cotação em reais sofre influência do dólar, além do desempenho das ações no mercado internacional, o que pode aumentar a volatilidade.
Outro ponto é a dependência da demanda global por semicondutores. Embora a IA sustente o ciclo atual de investimentos, mudanças no ritmo de expansão de data centers ou desaceleração dos gastos das grandes empresas de tecnologia podem impactar a fabricante. O risco geopolítico também é relevante, já que a concentração de parte da produção em Taiwan expõe a companhia a tensões entre China e Estados Unidos, possíveis restrições comerciais e ajustes nas cadeias de fornecimento.
A TSMC vem ampliando investimentos fora de Taiwan, especialmente nos Estados Unidos, para diversificar a capacidade produtiva. A construção de novas fábricas, contudo, exige dispêndios elevados e pode pressionar custos e margens ao longo do tempo.
Como avaliar o investimento em TSMC
A empresa oferece ao investidor brasileiro uma via de participação no crescimento da indústria global de semicondutores, com destaque para a inteligência artificial. Isso não implica valorização contínua dos BDRs: além dos fundamentos, é necessário observar preço de negociação, perspectivas de lucro, exposição cambial e a concentração geográfica da produção.
Antes de investir, vale considerar o perfil de risco, o horizonte de investimento e a parcela adequada de ativos internacionais na carteira. Uma avaliação criteriosa desses fatores ajuda a entender como a TSMC pode se encaixar em uma estratégia de longo prazo voltada à diversificação.
