A Boa Safra (SOJA3), por meio de sua controlada Bestway Seeds, anunciou a formação de uma joint venture na Nigéria com foco na fabricação de sementes de milho para o mercado doméstico. A iniciativa busca acelerar a produtividade local e apoiar a autossuficiência do país africano nesse insumo estratégico para o agronegócio.
A operação nasce com capital de US$ 9,7 milhões e estrutura societária que confere 20% à Bestway Seeds no início, sem necessidade de aporte financeiro direto por parte da Boa Safra. Essa participação será integralizada por meio da transferência de conhecimento técnico e operacional, reforçando a proposta de valor baseada em tecnologia e eficiência.
A estratégia da companhia mira capturar demanda crescente por sementes de alta performance e ampliar sua presença internacional, mantendo disciplina de capital. O contrato prevê a possibilidade de elevar a fatia da Bestway Seeds para até 40%, condicionada ao cumprimento de marcos e metas previamente estabelecidos, o que pode destravar ganhos adicionais de escala e governança.
Resultados recentes indicam um ambiente desafiador. No quarto trimestre de 2025, a SOJA3 reportou prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões, revertendo o lucro de R$ 80,3 milhões do mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado recuou 55%, para R$ 58,5 milhões, refletindo pressões de custo e normalização de margens no setor.
No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 101,1 milhões, queda de 34% em relação a 2024. Mesmo assim, a gestão projeta que a diversificação geográfica e a captura de eficiência produtiva na Nigéria possam mitigar volatilidades cíclicas e sustentar o crescimento no médio prazo.
Com a joint venture, a companhia pretende acelerar a adoção de cultivares adaptadas ao clima local, ampliando a oferta de sementes de milho certificadas. A transferência de tecnologia, logística estruturada e seleção de híbridos devem impulsionar produtividade no campo, fortalecendo o ecossistema agrícola nigeriano e abrindo novas avenidas de receita para a Boa Safra.
