O Ibovespa encerrou a sexta-feira (20) em forte queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos, marcando o menor patamar em quase dois meses. O recuo refletiu a aversão ao risco global diante da escalada das tensões no Oriente Médio e do salto do petróleo, que rompeu a marca de US$ 112 por barril. Esse cenário reforçou preocupações com a inflação e redesenhou expectativas para os juros nos Estados Unidos.
A disparada do Brent acima de US$ 112 foi o gatilho principal para o mau humor dos mercados. A alta da commodity elevou as projeções de custos e pressionou setores sensíveis à inflação, ao mesmo tempo em que postergou apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. Esse movimento contaminou o sentimento de risco e ampliou a busca por proteção, penalizando ativos de renda variável.
Na sessão, o índice exibiu forte volatilidade, oscilando entre a máxima de 180.305 pontos e a mínima de 175.039 pontos. O volume financeiro somou R$ 49,5 bilhões, inflado pelo vencimento de opções, que tipicamente intensifica negociações e amplia a dispersão de preços. Apenas cinco papéis fecharam no campo positivo, evidenciando a amplitude do movimento vendedor.
Nos acumulados, o Ibovespa caiu 0,81% na semana e já recua 6,66% no mês, enquanto no ano ainda preserva ganho de 9,37%, agora reduzido. Esse desempenho reflete a combinação de choques externos e incertezas domésticas, com investidores reavaliando prêmios de risco e perspectivas para crescimento e inflação no curto prazo.
Entre as maiores pressões do dia, PETR3 recuou 2,39% e PETR4 cedeu 2,37%, apesar do petróleo em alta — movimento associado a ajustes de posição e preocupação com margens e governança. VALE3 caiu 1,41%. Nos destaques negativos, Braskem (BRKM5) afundou 14,21%, Cyrela (CYRE3) caiu 7,60% e MRV (MRVE3) recuou 5,42%. Do lado positivo, PRIO3 liderou com alta de 3,14%.
As bolsas de Nova York também sentiram o choque externo. O Dow Jones caiu 0,96% para 37.998 pontos, o S&P 500 recuou 1,51% a 5.144 pontos e a Nasdaq perdeu 2,01% para 16.032 pontos, refletindo menor apetite por risco, revisão de prêmios e rotação setorial defensiva.
Em síntese, o Ibovespa sofreu com o ambiente global adverso, o salto do petróleo e a leitura de inflação e juros mais duros, fatores que devem seguir no radar e manter a volatilidade elevada nos próximos pregões.
