A inVista Real Estate apresentou, no FIIs Experience da Suno, uma visão estratégica sobre o potencial dos galpões industriais no mercado brasileiro de fundos imobiliários. Segundo os executivos, esse segmento reúne atributos que aumentam sua previsibilidade e resiliência, especialmente em ciclos econômicos desafiadores. O ponto central é a forte ancoragem do inquilino, que investe pesado para adaptar o imóvel às operações.
A baixa rotatividade decorre do alto capex do ocupante. Marcelo Rainho, fundador da inVista Real Estate, explicou que, ao direcionar centenas de milhares de reais em instalações, o locatário cria um custo de saída relevante. Assim, mudar de endereço significa replicar o mesmo investimento em outra praça, o que reduz a troca de imóvel e sustenta contratos mais longos.
Entre os inquilinos do IBBP11, destacam-se multinacionais de saúde, automotivo, alimentício e construção civil. Essa base de clientes global — com presença nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Coreia do Sul, Japão e Itália — eleva padrões operacionais e de governança, reforçando a percepção de risco menor e receitas mais estáveis. Essa diversificação geográfica do capital do ocupante é vista como um diferencial competitivo.
Infraestrutura e localização são definidores de valor. Vagner Borin, do Brazilian Business Park, ressaltou a importância de estar próximo aos centros consumidores e às principais rotas logísticas. Já Robson Alves, sócio-presidente do BBP, apontou que “erguer um galpão é simples; difícil é garantir água, energia e toda a base operacional”. A qualidade da malha de serviços, portanto, separa ativos medianos de empreendimentos premium.
O novo fundo IVBP11 nasce com cerca de R$ 1 bilhão em patrimônio e mais de 400 mil m² de ABL, com a ambição de atingir R$ 5 bilhões em ativos sob gestão no longo prazo. Essa escala planejada busca diluir riscos, capturar eficiência operacional e ampliar o poder de barganha nas locações.
Em síntese, os galpões industriais se destacam pela combinação de inquilinos capitalizados, baixos índices de vacância estrutural e infraestrutura crítica. Com foco em localização, serviços essenciais e contratos robustos, o segmento tende a entregar previsibilidade superior e resistência a choques macroeconômicos, consolidando-se como pilar relevante nos FIIs.
