O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (18), fixando a taxa básica em 14,75% ao ano. O corte, o primeiro desde 2024, encerra um ciclo de elevações iniciado em setembro do ano passado e sinaliza uma mudança cautelosa na condução da política monetária. Analistas já projetavam a decisão, diante do esfriamento de alguns núcleos de inflação e da necessidade de calibrar o custo do crédito.
Em linha com as expectativas do mercado, o Copom buscou equilibrar riscos internos e externos. A Selic vinha sendo mantida em 15% ao ano nas últimas cinco reuniões, o maior patamar em quase duas décadas, o que preservou um juro real elevado. Agora, com a inflação corrente moderando em certos componentes, abriu-se espaço para um ajuste gradual.
Os conflitos no Oriente Médio adicionaram volatilidade e incerteza às projeções. Pressões sobre a cadeia de suprimentos e os preços de commodities aumentaram a cautela. O IPCA de fevereiro veio acima do esperado, reacendendo dúvidas sobre o calendário de afrouxamento, mas não o suficiente para impedir um passo inicial de redução.
Segundo o comunicado, o Comitê avalia de forma prospectiva os impactos externos, “em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”. O tom indica que o ritmo de cortes dependerá dos dados, preservando a credibilidade do regime de metas.
Boletins de mercado, como o Focus, ajustaram projeções para juros e atividade. Na leitura mais recente, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 subiu para 12,25% ao ano, de 12,13%, refletindo um cenário de desinflação mais lento. Esse quadro sugere que o ciclo poderá ser mais curto ou menos intenso do que o antecipado.
Para consumidores e empresas, a redução tende a aliviar gradualmente o custo do crédito, com efeitos defasados. A transmissão dependerá da percepção de risco, do comportamento dos prêmios de prazo e da trajetória fiscal.
Em meio a incertezas globais, o Copom optou por iniciar um ciclo “dependente de dados”, mantendo a prudência. A continuidade dos cortes na taxa Selic exigirá melhora consistente do quadro inflacionário, estabilidade das expectativas e disciplina fiscal.
