BHIA3 renovou sua mínima histórica na sessão de segunda-feira (18), ao encerrar em queda de 10,78%, cotada a R$ 1,49. O tombo reforça a sequência de perdas que atinge os papéis da varejista, com baixa superior a 47% em 30 dias e recuo acima de 68% em 12 meses. A leitura do mercado concentrou-se no prejuízo bilionário reportado e em pressões financeiras que persistem no ambiente de juros elevados, afetando o apetite por risco no setor.
O gatilho para a forte correção foi o prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro do déficit de R$ 408 milhões visto no mesmo período de 2025. Esse resultado reforçou preocupações sobre a trajetória de rentabilidade de BHIA3 e a velocidade de captura de ganhos operacionais diante de custos financeiros ainda altos. Analistas destacam que, sem melhora consistente no resultado financeiro, a recomposição de valor dos papéis tende a ser mais lenta.
Apesar do quadro desafiador no lucro, indicadores operacionais mostraram algum fôlego. A receita líquida avançou 6,1% na comparação anual, alcançando R$ 7,4 bilhões, apoiada em iniciativas comerciais e mix de produtos. O Ebitda ajustado subiu 4,7%, para R$ 597 milhões, com margem bruta estável em 30,3%. Esses sinais, porém, foram insuficientes para aliviar a pressão vendedora nas ações da Casas Bahia.
A companhia também apresentou evolução na estrutura de capital. O fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 852 milhões no trimestre, sugerindo melhor disciplina operacional e de capital de giro. Além disso, a dívida líquida ajustada encolheu 68% em base anual, reduzindo a alavancagem para 0,5 vez o Ebitda ajustado—ainda que o custo financeiro permaneça como ponto sensível para o case.
Em contrapartida, o resultado financeiro líquido seguiu negativo, somando R$ 1,17 bilhão, alta de 27% frente ao mesmo trimestre anterior, refletindo o impacto de juros elevados e despesas financeiras. Esse componente neutralizou os ganhos operacionais e manteve a pressão sobre as expectativas de curto prazo para as ações da Casas Bahia.
No curto prazo, o comportamento de BHIA3 deve continuar atrelado à capacidade de reduzir despesas financeiras, sustentar geração de caixa e preservar margens. A confirmação de tendências positivas nessas frentes pode atenuar a volatilidade, enquanto novas surpresas negativas tendem a manter o papel em mínimas.
