As ações da Braskem (BRKM5) voltaram a cair nesta quinta-feira (25), após a companhia divulgar documentos que evidenciam o impasse nas tratativas com credores para reestruturar a dívida. Por volta de 13h09, os papéis recuavam 9,84%, a R$ 6,87, segundo dados de mercado. Na mínima do dia, tocaram R$ 6,53, queda de 14,3%.
A pressão veio depois de a petroquímica comunicar que iniciou mediação com credores financeiros e protocolou pedido de tutela de urgência cautelar na Justiça de São Paulo para resguardar as conversas sobre sua estrutura de capital. Segundo a empresa, as medidas têm escopo exclusivamente financeiro e não alcançam fornecedores, clientes ou demais obrigações operacionais.
H2: O que travou as negociações da Braskem
A Braskem apresentou a detentores de bonds e debêntures uma proposta de reestruturação que serviria como base para uma recuperação extrajudicial. Entre os pontos centrais estavam a prorrogação em cinco anos dos vencimentos das dívidas, a redução de dois pontos percentuais nos juros dos títulos e a possibilidade de capitalizar integralmente os juros entre julho de 2026 e dezembro de 2028.
O desenho também previa manter as dívidas sem garantias reais e sem corte no valor principal dos créditos. O objetivo declarado era aliviar o fluxo de caixa em um período de forte concentração de vencimentos.
Os credores rejeitaram a proposta e classificaram os termos como “totalmente insatisfatórios”. O grupo criticou a ideia de reduzir os juros em uma reestruturação corporativa e defendeu que qualquer concessão por parte dos credores deveria ser acompanhada de maior remuneração, garantias ou participação mais ativa dos acionistas nas negociações.
Em resposta, a Braskem afirmou que a contraproposta apresentada pelos credores não é aceitável nem atende aos interesses da companhia e de seus stakeholders. Ainda assim, a empresa disse que continuará buscando uma solução consensual, estruturada e ordenada para sua estrutura de capital.
H2: Impactos no mercado e projeções da Braskem
A leitura do mercado foi negativa porque os documentos reduziram a expectativa de um acordo rápido. Nas apresentações enviadas aos credores, a Braskem estima cerca de US$ 3,68 bilhões em serviço da dívida entre julho de 2026 e dezembro de 2027, o que reforça a necessidade de alongamento de prazos.
Sem uma renegociação, o caixa livre poderia ficar negativo em US$ 821 milhões em dezembro de 2026 e em US$ 1,98 bilhão ao fim de 2027. Esses números, apresentados pela própria companhia, ajudam a explicar a reação dos investidores na sessão.
A movimentação desta quinta-feira indica que, para o investidor, o foco deixou de ser apenas o tamanho do endividamento. A questão passou a incluir quem arcará com os custos da reestruturação: companhia, credores ou acionistas. Enquanto perdurar o impasse, a volatilidade tende a refletir o andamento das conversas e eventuais sinais de convergência entre as partes.
