O Itaú BBA projeta que Auren (AURE3) e CMIG4 devem figurar entre os piores desempenhos do setor elétrico brasileiro no primeiro trimestre de 2026. O banco cita condições hidrológicas desfavoráveis e distorções de preços entre submercados como os principais vetores para pressionar margens e resultados das duas companhias. A avaliação também considera a dinâmica de spreads regionais e a menor contribuição de fontes renováveis intermitentes.
A estimativa para a Auren aponta EBITDA de R$ 840 milhões, queda anual de 30,3%. O banco atribui o recuo à menor disponibilidade de vento, redução na geração hídrica e aos efeitos negativos dos spreads regionais de energia. Esse conjunto de fatores reduz a captura de preços e limita a eficiência do portfólio, afetando tanto contratos quanto a exposição no mercado livre.
Para a Cemig, o Itaú BBA projeta crescimento modesto de EBITDA de 1,2% na base anual, mas com recuo de 12,9% no lucro líquido. A companhia deve enfrentar demanda mais fraca em sua área de concessão e pressões no segmento de comercialização devido aos preços elevados de energia. O desalinhamento entre custos e repasses também tende a comprimir margens.
As perspectivas não são uniformes no setor. A Copel (CPLE3) surge como destaque positivo, com EBITDA estimado em R$ 1,73 bilhão e alta de 15,1%. Spreads mais amplos entre submercados e melhor performance em geração devem compensar impactos do curtailment, favorecendo a rentabilidade no trimestre. A Engie (EGIE3) também deve apresentar avanço, com EBITDA projetado em R$ 1,9 bilhão, alta de 16,2%, sustentada por novos projetos e aquisições.
No segmento de transmissão, a ISA Energia (ISAE4) deve registrar EBITDA de R$ 999 milhões, crescimento de 8,3%, refletindo expansão de base remunerada e disciplina operacional. A Taesa (TAEE11) deve reportar R$ 559 milhões, avanço de 9,7%, amparada por receitas robustas e contratos de longo prazo.
A Eneva (ENEV3) tende a enfrentar um trimestre mais fraco, com EBITDA estimado em R$ 1,23 bilhão, queda de 19,6%, em meio a menor despacho térmico e normalização de preços. Já a Copasa (CSMG3) deve apresentar estabilidade, com EBITDA de R$ 803 milhões e leve recuo de 1,2%, refletindo custos controlados e demanda resiliente.
Em síntese, o Itaú BBA vê um 1T26 desafiador para Auren, enquanto Copel e Engie devem se destacar positivamente. A heterogeneidade de resultados reforça a importância da alocação seletiva em geração, transmissão e saneamento.
