As ações da Weg (WEGE3) recuaram 2,33% nesta terça-feira (2), encerrando a R$ 42, em meio ao aumento das incertezas sobre possíveis tarifas comerciais dos Estados Unidos a produtos brasileiros. O temor do mercado é que a medida, se confirmada, pressione receitas e margens no curto prazo, sobretudo nos itens exportados a partir do Brasil para o mercado americano.
Segundo o Citi, a empresa pode sofrer impacto direto, já que cerca de 25% do faturamento vem de produtos manufaturados no país e vendidos nos EUA. Essa exposição, destacam os analistas, torna a companhia sensível a mudanças repentinas no custo de acesso ao mercado norte-americano, refletindo-se em precificação e competitividade.
A extensão do efeito, porém, ainda é incerta. A proposta em discussão inclui exceções para determinados itens e depende de trâmites legais nos EUA. Ainda assim, o banco projeta pressão imediata nas margens, com potencial redirecionamento logístico e renegociação de contratos para mitigar impactos.
O segmento de motores industriais é apontado como o mais vulnerável. Responsável por 49,1% da receita operacional líquida no primeiro trimestre de 2024, a divisão tem cerca de 70% das vendas em mercados externos. A depender do desenho final das tarifas, esse núcleo de negócios pode enfrentar maior custo efetivo e necessidade de ajustes na cadeia de suprimentos.
O impulso regulatório vem de uma recomendação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial. O órgão alega barreiras ao comércio ligadas a combate à corrupção, desmatamento irregular e sistemas de pagamento, o que elevou o risco regulatório no curto prazo.
A proposta ainda não entrou em vigor. O USTR abriu consultas públicas e prevê exceções para itens estratégicos como café, frutas, carne bovina, aeronaves e minerais de terras raras. Para investidores, o desfecho será determinante para mensurar a real magnitude do choque sobre as ações da Weg e sua estrutura de custos.
