Os preços da soja registraram avanço consistente no mercado brasileiro na última semana, conforme o Cepea. Entre 13 e 20 de agosto, o indicador de Paranaguá aumentou 5,2%. No Paraná, a cotação subiu 4,5%, alcançando o maior nível nominal desde abril de 2023.
Na média das praças acompanhadas pelo Cepea, houve valorização de 3,8% no mercado de balcão e de 3% no mercado de lotes. O movimento refletiu a retração dos vendedores, atentos ao clima para a próxima safra, somada a uma demanda ainda aquecida.
Segundo o centro de pesquisas da Esalq/USP, a procura externa segue firme, com destaque para a China. No mercado interno, indústrias brasileiras intensificaram as compras para recompor e formar estoques, reforçando o impulso dos preços.
Esse quadro recoloca os preços agrícolas no radar dos investidores, em um momento em que o agronegócio brasileiro mantém produção elevada e participação relevante nas exportações. A dinâmica de oferta e demanda permanece como referência para o comportamento das cotações.
Preços da soja sobem no Brasil
A recente alta da soja ocorre em paralelo a movimentos no mercado de capitais ligados ao campo. Um dos veículos expostos ao setor é o SNFZ11, cuja estratégia é concentrada em propriedades rurais. O fundo detém fazendas agrícolas em Mato Grosso e busca gerar renda por meio de contratos de arrendamento dos imóveis.
O portfólio tem avançado com aquisições no Estado. Recentemente, foram anunciadas três novas propriedades, ampliando a presença do fundo em áreas voltadas à produção de grãos. O ambiente operacional dos ativos mantém relação direta com o ciclo agrícola e seus indicadores.
As fazendas Panteão, Berrante e Guaraipos totalizam 6.522 hectares de área registrada, sendo 2.218 hectares de área útil agrícola. Os imóveis estão em Chapada dos Guimarães e Nova Lacerda, duas localidades inseridas em polos relevantes do agronegócio mato-grossense.
Fundo amplia presença em terras agrícolas
A operação de compra foi estruturada com pagamento parcelado em sacas de soja e contratos de arrendamento de longo prazo. Com isso, o fundo reforça sua exposição em uma das principais regiões produtoras do país, ajustando prazos e condições à dinâmica do setor.
A correlação com a commodity está principalmente no ambiente em que os ativos operam. Embora a valorização da soja seja um termômetro acompanhado pelo mercado agrícola, seu efeito sobre o fundo depende das especificidades de cada contrato de arrendamento e da operação das propriedades.
Além de expandir a carteira, seguem os investimentos em infraestrutura. Na Fazenda Coliseu, avançam as obras de instalação de pivôs de irrigação, iniciativa voltada a elevar o potencial produtivo da área e sustentar ganhos operacionais de longo prazo.
Resultados, estratégia e guidance do Fiagro
A tese de valorização de terras agrícolas permanece no centro da estratégia, baseada na transformação de propriedades por meio de melhorias que buscam elevar a rentabilidade dos imóveis ao longo do tempo. A disciplina operacional e a gestão de contratos são pilares desse posicionamento.
Em junho, o fundo registrou receita de R$ 1,57 milhão e encerrou o período com patrimônio líquido de R$ 120,08 milhões, mantendo a carteira sem registros de inadimplência. Esses números refletem o andamento das operações e a estabilidade dos recebíveis de arrendamento.
A gestora divulgou ainda um guidance para o trimestre entre agosto e outubro de 2026, estimando pagamentos entre R$ 0,095 e R$ 0,105 por cota. O intervalo indicado considera o desempenho esperado das propriedades e as condições contratuais vigentes.
