A soja brasileira deve alcançar produção recorde de 180,13 milhões de toneladas em 2026, segundo a Abiove. Esse avanço reforça o ambiente para crédito privado no agronegócio e pode favorecer fiagros com lastro em operações do setor, como o SNAG11. Além de ampliar a oferta, o ciclo positivo tende a melhorar preços relativos, liquidez e demanda por financiamento em cadeia.
A entidade também elevou as projeções de processamento, exportação e receita do complexo soja. As exportações devem somar US$ 63,4 bilhões em 2026, frente a US$ 52,9 bilhões em 2025, indicando fôlego adicional para o caixa de produtores e tradings. Com maior geração de divisas, o setor fortalece sua capacidade de honrar dívidas e captar novos recursos.
Os estoques finais da oleaginosa no país devem chegar a 8,25 milhões de toneladas, maior nível desde 2017. Esse colchão de oferta reduz volatilidade e sustenta contratos de fornecimento, o que interessa a estruturas de crédito. Para fiagros, a previsibilidade operacional contribui para spreads mais racionais e menor risco idiossincrático.
Como resposta a esse ambiente, o SNAG11 concluiu sua quinta emissão com captação de R$ 301,4 milhões, cerca de R$ 100 milhões acima da meta. O patrimônio do fundo atingiu R$ 927,66 milhões, ampliando a capacidade de originar operações e diversificar lastros. Cerca de 39,2% dos recursos irão para irrigação agrícola, segmento estratégico para resiliência produtiva e mitigação climática.
Victor Duarte, CIO da Suno Asset, ressalta gargalos estruturais: problemas de logística e armazenagem ainda pressionam custos e elevam perdas. “O Brasil não tem onde guardar. Tem que guardar em silo de bloco, em estruturas improvisadas”, afirmou. A expansão da safra torna urgente investir em infraestrutura, tema que pode abrir novas oportunidades de crédito e renda para investidores.
No desempenho, o fundo acumula 79,9% desde o início, superando CDI líquido, IFIX e IPCA + 7%. Em abril, o SNAG11 distribuirá R$ 0,12 por cota, com pagamento em 25 de maio, yield mensal próximo de 1,13% e anualizado de 14,42%. A base de investidores chegou a 130 mil cotistas, consolidando tração comercial e reforçando a atratividade da soja como motor de demanda por crédito estruturado.
