A movimentação de soja e farelo no Porto de Santos retomou o crescimento em 2026, reforçando o peso do agronegócio nas exportações brasileiras. Levantamento da Autoridade Portuária de Santos (APS) indica que o complexo soja somou 25,72 milhões de toneladas entre janeiro e maio, alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025. O dado confirma a continuidade do avanço das cargas agrícolas na maior infraestrutura portuária da América Latina.
No acumulado de 2026, o total movimentado pelo Porto de Santos alcançou 75,65 milhões de toneladas, expansão de 4,7% na comparação anual. Os embarques de açúcar também cresceram e totalizaram quase 7 milhões de toneladas, variação positiva de 10,2% frente a 2025. Esses resultados evidenciam o papel de soja, farelo e açúcar na sustentação da pauta exportadora do país.
Em maio, houve acomodação pontual no fluxo de cargas, com recuo de 1,7% na movimentação total do porto. Ainda assim, o desempenho acumulado permanece favorável e aponta resiliência das exportações do agronegócio. No caso específico da soja, o volume embarcado em maio caiu 0,6%, mas os números do ano continuam sinalizando demanda internacional firme pelo grão brasileiro.
O avanço das principais cadeias do agro contribui para um ambiente operacional mais robusto aos agentes do setor. Produtores, cooperativas, tradings e empresas de insumos se beneficiam de maior giro de mercadorias, o que tende a sustentar receitas e fluxo de caixa. Esse contexto reforça a importância logística de Santos para o escoamento da safra e o atendimento de contratos no mercado externo.
Exportações do agro reforçam fundamentos do SNAG11
O fortalecimento das exportações tem efeito indireto sobre os Fiagros de crédito, sobretudo os expostos às cadeias agrícolas. Nesse cenário, o SNAG11 se posiciona entre os veículos que podem capturar o efeito da maior atividade do agronegócio brasileiro. O fundo detém operações de crédito distribuídas por diferentes segmentos do setor, cuja capacidade de pagamento está atrelada à saúde financeira das cadeias produtivas.
A expansão das vendas externas contribui para melhorar a renda do produtor rural, ampliar o volume de negócios das companhias do agro e elevar a demanda por capital. Com mais atividade, cresce a necessidade de financiamento para custeio, comercialização e investimentos, quadro que pode favorecer operações de crédito do agronegócio ao longo do tempo. Em paralelo, o patrimônio total da indústria segue em expansão, amparado por novas emissões e captação de investidores.
No mercado secundário, a liquidez do SNAG11 vem aumentando. O fundo registrou volume médio diário próximo de R$ 3,7 milhões e respondeu por uma fatia relevante das negociações entre os Fiagros listados na B3. A melhora na negociação tende a reduzir spreads e a facilitar entrada e saída de posições, sem alterar a natureza de longo prazo desse tipo de produto.
Fiagros seguem aumentando relevância
A indústria de Fiagros segue ganhando espaço no mercado de capitais brasileiro. Segundo a B3, o segmento encerrou maio de 2026 com aproximadamente 600 mil investidores, novo recorde histórico e crescimento de mais de 50 mil cotistas em doze meses. A ampliação da base reflete maior familiaridade do investidor com o produto e a busca por alternativas de renda atreladas ao agronegócio.
O avanço do número de cotistas veio acompanhado de maior atividade no mercado secundário. Em maio, os Fiagros movimentaram cerca de R$ 478,7 milhões em negociações, com média diária de volume financeiro (ADTV) próxima de R$ 23,9 milhões, um dos maiores patamares já observados para a indústria. A liquidez crescente contribui para a formação de preços mais eficiente e para a consolidação do segmento na Bolsa.
O número de negócios também permaneceu elevado, com aproximadamente 31,8 milhões de operações ao longo do mês. Os dados indicam participação crescente dos investidores e amadurecimento do mercado de Fiagros, em um ambiente em que as exportações do agro e o desempenho de cadeias como soja, farelo e açúcar seguem sustentando a atividade econômica ligada ao campo.
