O Ibovespa recuou 2,55% nesta quinta-feira (12), aos aos 179.284,49 pontos, interrompendo três sessões de ganhos. O movimento reflete um aumento global de aversão ao risco diante da piora do quadro geopolítico, enquanto dados locais reforçam pressões sobre juros e setores cíclicos.
As tensões no Oriente Médio escalaram após ataques a embarcações petroleiras no Golfo Pérsico, reduzindo as expectativas de distensão anteriormente alimentadas por declarações de Donald Trump. Esse choque externo intensifica a busca por proteção, afeta commodities e eleva a volatilidade dos ativos de risco.
No exterior, as bolsas da Europa e da Ásia fecharam majoritariamente em queda. Nos EUA, às 13h40, o S&P 500 cedia 1,13% e a Nasdaq recuava 1,34%, refletindo o ajuste de posições em tecnologia e crescimento. O dólar comercial se fortalece globalmente, com alta de 1,62%, enquanto moedas de emergentes perdem tração.
O petróleo dispara diante da incerteza sobre oferta. O Brent superou US$ 101, elevando custos energéticos e reacendendo temores inflacionários. Esse movimento pressiona margens industriais e o transporte, além de reprecificar expectativas de política monetária em várias economias.
Mais cedo, por volta das 13h30, entre os papéis do índice, a CSNA3 liderava as perdas, caindo mais de 9% depois que a CSN reportou prejuízo líquido de R$ 721 milhões no 4T25, salto de 748% ante os R$ 85 milhões do período anterior. A sinalização de resultado mais fraco pesa sobre siderurgia e mineração, ampliando a correção setorial. No final do pregão, a queda era de 14,45%.
O IPCA de fevereiro avançou 0,7%, acima das projeções, reforçando cautela com a trajetória de inflação. Esse dado pressiona ativos sensíveis a juros, com destaque para varejistas e construção, que sofrem com a perspectiva de cortes de Selic mais lentos.
Em síntese, o Ibovespa sente a combinação de risco geopolítico elevado, petróleo mais caro e surpresa inflacionária doméstica. A correlação negativa com Treasuries e dólar ressurge, enquanto investidores aguardam novos sinais de política monetária e desdobramentos no Oriente Médio.
