O BB Investimentos reduziu o preço-alvo da ações da Hypera (HYPE3) de R$ 31 para R$ 30 ao fim de 2026, mas manteve a recomendação de compra. A decisão reflete a atualização dos números do quarto trimestre de 2025 e o ajuste nas premissas macroeconômicas do banco. Mesmo com o corte, o novo valor implica potencial de valorização de 30,8% frente ao fechamento de segunda-feira (23).
Segundo o BB-BI, os resultados trimestrais foram neutros, embora tenham evidenciado avanços operacionais. Houve crescimento de receita e expansão de margens, beneficiados por uma base de comparação fraca após esforço de otimização do capital de giro. Esse desempenho sustenta a visão construtiva para a tese.
Em 2026, as ações da Hypera acumulam queda de 1%, enquanto o Ibovespa sobe 13% no período. A recente pressão veio do sinal da CMED para um reajuste de medicamentos abaixo da inflação pelo segundo ano consecutivo, o que limita repasses e pode apertar margens no curto prazo.
O ambiente macro mais desafiador, com mudança na trajetória de juros, também pesa sobre empresas mais alavancadas. A alavancagem financeira segue como ponto de atenção: a dívida líquida/EBITDA encerrou o último trimestre em 2,6 vezes. “A companhia permanece em patamar elevado”, afirmou a analista Andréa Aznar, ressaltando a necessidade de disciplina no uso de caixa.
Apesar dos riscos, o banco destaca gatilhos relevantes à frente. A queda da patente da semaglutida (Ozempic) abre um mercado promissor. A Hypera aguarda aprovação da Anvisa para lançar a versão genérica, em parceria com um fabricante indiano, com autorização esperada no primeiro semestre de 2026.
Se confirmada a entrada no segmento de análogos de GLP-1, a companhia pode capturar crescimento adicional e diluição de custos, reforçando margens e geração de caixa. Para o BB-BI, o potencial de alta, somado aos avanços operacionais, justifica a manutenção da recomendação de compra para as ações da Hypera.
