A CVC (CVCB3) reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 3,6 milhões no 4T25, melhora frente aos R$ 12,8 milhões negativos do 4T24. Apesar do trimestre aquém do ideal em receita e margens, o Itaú BBA destacou a forte geração de caixa como contrapeso relevante ao desempenho operacional. O movimento reforça a resiliência da companhia em um cenário competitivo intenso e com pressões regionais.
A receita líquida somou R$ 362,1 milhões, queda de 1,2% ano a ano. As reservas confirmadas avançaram 6,7%, para R$ 4,3 bilhões, enquanto as consumidas cresceram 7%, alcançando R$ 4,24 bilhões. O take rate recuou de 9,3% para 8,5%, refletindo maior peso do segmento B2B no mix, tendência que comprime margens no curto prazo, mas sustenta volume.
Segundo o Itaú BBA, o trimestre veio abaixo das expectativas em receita e rentabilidade, porém a geração de caixa livre foi ponto alto. “Resultado operacional fraco; a geração de caixa livre foi o lado positivo”, avaliaram os analistas. A operação B2C no Brasil e o desempenho mais fraco na Argentina pressionaram resultados, enquanto o capital de giro surpreendeu positivamente.
No Brasil, as reservas consumidas cresceram 11,5% na comparação anual, com o B2B subindo 22% por meio de Visual e RexturAdvance, reforçando a escala do canal corporativo. O B2C avançou apenas 2,2%, diante de maior competição e pressão em preços, dinâmica que sustentou volumes, mas afetou a rentabilidade do varejo.
Na Argentina, as reservas consumidas caíram 8,6%, impactadas pelo ambiente macroeconômico adverso e pela volatilidade cambial. A combinação de inflação elevada e menor demanda turística reduziu o ritmo de venda, exigindo gestão de preços e custos mais rígida para preservar margens.
O Itaú BBA manteve recomendação outperform (compra) para as ações, com preço-alvo de R$ 3,00 ao fim de 2026. A casa entende que a desalavancagem, apoiada pela geração de caixa, pode destravar valor à medida que a companhia ajusta o mix e melhora eficiência.
Para os próximos trimestres, a CVC será monitorada pela capacidade de reduzir alavancagem em meio à competição doméstica e ao cenário desafiador na Argentina, enquanto busca capturar ganhos no B2B e recuperar margens no varejo.
