A bolsa brasileira voltou a receber uma listagem após cinco anos sem estreias. A ações da Compass começaram a ser negociadas na B3 nesta segunda-feira (11) sob o ticker PASS3, marcando o retorno das ofertas públicas iniciais ao mercado nacional. A movimentação reforça o apetite seletivo dos investidores e reacende o pipeline de emissões em 2024.
Nos primeiros negócios, os papéis da companhia do Grupo Cosan (CSAN3) operaram em leve baixa. Às 10h50, os ativos recuavam 0,64%, cotados a R$ 27,82. Esse desempenho inicial reflete um mercado cauteloso, ainda que atento à tese de gás natural e infraestrutura. A precificação no piso da faixa indica busca por equilíbrio entre demanda e valorização.
A operação levantou R$ 2,8 bilhões na base, com preço fixado em R$ 28 por ação. Com a colocação de lotes suplementares, o volume pode alcançar R$ 3,2 bilhões. A estreia avalia a empresa em cerca de R$ 20 bilhões, consolidando sua posição como um dos principais players do segmento.
O mercado brasileiro não recebia novas companhias desde 2021, quando Raízen (RAIZ4) e Oncoclínicas (ONCO3) abriram capital. A Raízen, também ligada ao Grupo Cosan, atravessa recuperação extrajudicial. Esse hiato prolongado é um marco relevante para a volta do calendário de ofertas.
Ao contrário de listagens tradicionais, a transação foi integralmente secundária. Assim, os recursos não ingressam no caixa da companhia, mas são direcionados aos acionistas vendedores, entre eles a própria Cosan e instituições financeiras. Esse desenho reduz diluição e sinaliza confiança na liquidez do papel.
A ações da Compass reúne os negócios de gás natural e energia da Cosan. Seu principal ativo é a Comgás, concessão de gás canalizado em São Paulo. Por meio da Edge, amplia atuação no mercado livre de gás, GNL e biometano, áreas vistas como vetores de crescimento e diversificação.
A performance inicial negativa é moderada e pode evoluir conforme a formação do book e o apetite institucional. A Compass na B3 tende a se beneficiar de contratos regulados, expansão do mercado livre e agenda de descarbonização, que privilegia o gás como combustível de transição.
