Os papéis da Boa Safra (SOJA3) despencou 10,92% nesta quarta-feira (25), e vem operando com estabilidade nesta quinta-feira (26), mas ainda com uma variação negativa de 0,15% por volta das 13h25. A baixa aconteceu após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões no período, revertendo o lucro de R$ 80,3 milhões registrado no mesmo intervalo do ano anterior. O movimento pressionou o humor dos investidores e acentuou a volatilidade do papel no curto prazo.
O Ebitda ajustado caiu 55%, para R$ 58,5 milhões, em contraste com a alta de 14% observada no quarto trimestre de 2024. Esse recuo foi atribuído à combinação de menor preço médio de venda, maior participação de operações com frete por conta da empresa e aumento do descarte de sementes por qualidade inferior. Esses fatores comprimiram margens e elevaram custos logísticos e operacionais.
No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 101,1 milhões, queda de 34% em relação a 2024. Embora o resultado anual permaneça positivo, a fraqueza do último trimestre reduziu a rentabilidade consolidada. A gestão sinalizou foco em eficiência operacional e controle de qualidade para mitigar impactos futuros.
Os analistas do Itaú BBA mantiveram recomendação market perform para SOJA3, destacando que os números vieram cerca de 20% abaixo das projeções internas. O relatório apontou crescimento nos volumes comercializados e expansão da participação de mercado para aproximadamente 10%, mas ressaltou que a pressão sobre preços e margens deve persistir no curto prazo.
Entre os pontos de atenção, o banco cita a necessidade de disciplina comercial e melhor mix de vendas para sustentar a rentabilidade. A normalização de estoques e a redução de descartes podem aliviar custos, enquanto avanços em logística ajudariam a recuperar parte das margens comprimidas.
Para investidores, o case depende da capacidade de estabilizar preços e recuperar eficiência operacional ao longo de 2026. Em meio ao cenário desafiador, a Boa Safra busca defender participação e melhorar o índice de aproveitamento de sementes, fatores que podem favorecer a retomada gradual dos resultados.
