A Minerva (BEEF3) reportou um quarto trimestre de 2025 marcado por margens comprimidas, volumes menores e queima de caixa expressiva, elevando a cautela do mercado. O desempenho ficou aquém das expectativas, refletindo a desaceleração do consumo no Brasil e um ambiente operacional mais desafiador para a Minerva. Analistas apontam que o conjunto de resultados pressiona a confiança no curto prazo e pode levar a revisões negativas de lucros.
Em linha com os comentários dos especialistas, os volumes de carne bovina recuaram na base trimestral, sinalizando demanda doméstica mais fraca. A BEEF3 registrou queda de 8% nos embarques frente ao trimestre anterior e números 4% abaixo das estimativas, fator que pesou na rentabilidade. Esse movimento, somado a preços e mix menos favoráveis, reduziu a eficiência operacional e limitou a geração de caixa.
A receita líquida somou R$ 14,2 bilhões, ficando 5% abaixo do previsto, apesar do crescimento anual de 33%. O EBITDA ajustado alcançou aproximadamente R$ 1,2 bilhão, com retração trimestral de 16% e margem de 8,2%. Esses indicadores reforçam a percepção de que a BEEF3 enfrentou um trimestre desafiador, com menor alavancagem operacional e pressões de custos ao longo da cadeia.
Consumo de caixa foi o principal alerta do período. A empresa queimou cerca de R$ 500 milhões no trimestre, valor que pode chegar a R$ 750 milhões ao incluir operações financeiras, nível bem acima da projeção de R$ 100 milhões. Esse desvio amplia a preocupação do mercado quanto à disciplina de capital e à dinâmica de capital de giro.
Minerva (BEEF3) e a dinâmica de caixa no 4T25
A queima de caixa mais intensa foi atribuída a margens mais fracas, sazonalidade e ajustes de estoque, ainda que tenha havido reversão parcial após forte liberação de capital de giro no trimestre anterior.
Em consequência, a alavancagem subiu: dívida líquida/EBITDA atingiu 2,6x, ou 3,5x com ajustes. Para reequilibrar, a BEEF3 deve priorizar eficiência operacional, gestão de estoques e disciplina em investimentos.
No curto prazo, a visibilidade segue limitada, com pressão sobre margens e demanda doméstica. Ainda assim, normalizações de capital de giro e captura de sinergias operacionais podem suavizar parte do impacto. A trajetória de 2025 dependerá da recomposição de preços, controle de custos e melhoria do consumo, fatores essenciais para recuperar a confiança na BEEF3.
