A fabricante alemã ações da Adidas (ETR: ADS) acumula desvalorização superior a 15% nos últimos 12 meses na Deutsche Börse Xetra, refletindo tarifas comerciais dos EUA, volatilidade cambial e demanda mais fraca no mercado norte-americano desde janeiro de 2025. Mesmo assim, o humor do investidor teve breve alívio após um feito histórico no atletismo impulsionar a percepção de marca e de portfólio premium.
Em 27 de abril, os papéis subiram cerca de 1% após a Maratona de Londres. O queniano Sabastian Sawe cravou 1h59min30s nos 42,195 km em 26 de abril, primeira marca oficial abaixo de duas horas, usando o Adizero Adios Pro Evo 3, tênis de US$ 500. O desempenho reacendeu o debate sobre tecnologia esportiva e diferenciação de produto no topo do mercado.
O recorde anterior era do queniano Kelvin Kiptum, com 2h00min35s na Maratona de Chicago em outubro de 2023. Esse novo marco reposiciona a Adidas no noticiário esportivo e pressiona concorrentes diretos a responder com inovação comparável.
Como a Adidas compete com a Nike no segmento premium?
O resultado reacendeu a disputa com a Nike no nicho de alta performance. A Nike dominava maratonas com o Vaporfly, enquanto a Adidas buscava recuperar tração entre elites e amadores avançados. Agora, a visibilidade do Adizero Adios Pro Evo 3 sinaliza avanço tecnológico e narrativa de performance.
O Adizero Adios Pro Evo 3 pesa 97 gramas — cerca de 30% mais leve que o antecessor — e adota espuma de última geração com placa de carbono. Segundo a Adidas, há ganho de 1,6% na economia de corrida. A exposição do modelo em um recorde mundial é ativo de marca de alto impacto no ciclo pré-olímpico e de grandes provas.
Quais fatores explicam a queda das ações da Adidas?
Apesar da alta pontual de 1,4%, ações da Adidas recuam 15% em 2025 e 32% em 12 meses. As tarifas americanas sobre produtos asiáticos são o maior risco, dado que a produção se concentra em China, Vietnã e Indonésia. A empresa projeta custos extras de 200 milhões de euros no segundo semestre, comprimindo margens.
No primeiro trimestre, a receita alcançou 6,6 bilhões de euros, acima dos 6,3 bilhões estimados, sugerindo resiliência operacional. A Copa do Mundo entre junho e julho é catalisador potencial, com patrocínios de Argentina, Espanha, Alemanha e México. Ainda assim, a normalização do câmbio e a evolução tarifária serão decisivas para o múltiplo no curto prazo e para o guidance de 2025.
